Direitos reservados a MSPINNINg. Tecnologia do Blogger.

Um conto fictício de cegos e surdos

Um conto fictício de cegos e surdos
(Este texto contém 1080 palavras)

Clarice crescia em um vale distante, onde apenas existia uma pequena cabana, árvores ao cair do outono e rosas cheias de espinhos. Logo mais a frente, havia um pequeno, que Clarice desejava conhecer.

Sua família muito preocupada não queria que Clarice passasse da porteira de casa. Já que ela era a única mulher na família viva, além de sua doente mãe. Além disso, ela tinha que ajuda a mãe como podia, já que um dos irmãos ajudava o pai, que após uma explosão de dinamites acabou surdo de um dos ouvidos, trabalhava na lavoura e o mais novo, Felipe, que era cego e tinha autismo, aprendia aos poucos, a sensação de tocar de sentir.

Seguindo sua rotina, Clarice ajudava sua mãe, enquanto todos os outros familiares atarefados se preparavam para a época de chuva no vale. Clarice arrumava todos os cômodos da casa, passando pelo quarto, onde arrumava suas meias na gaveta, pela sala onde limpava o piano e a cozinha, onde arrumava as barulhentas panelas de ferro.

Era uma vida triste em uma história preto e branco, onde lá fora se tinha noção das cores, mas dentro da casa, todos aparentavam serem daltônicos, ou, apenas cegos como o pobre Felipe, que apenas sentia os objetos da casa e sentia aquele cheiro de trigo em um campo fermentado laranja.

Clarice seguia sua rotina em preto e branco, enquanto limpava os empoeirados móveis da casa. Até que começa a ouvir um pequeno esboço tranquilo e lento de toques no piano, ao seu redor tudo começava a ganhar cor, e a casa preta e branca, ia se tornando um lar verde e prospero. Clarice, então corria para a sala para saber que mágica era aquela, é quando encontra com Felipe, sentado num banco em frente ao piano, esboçando sensibilidade em cada tecla. 

Começando lentamente e acelerando, com toda magia das teclas transformando a triste casa e um manto de cores. Apenas, porém, a mãe estava cada vez mais doente e o céu se escurecia para chover. 

O pai na lavoura se apressava cortando os últimos pedaços de madeira, resíduos da terra e a preparando com a semente gloriosa que iria crescer naquela terra vazia e virgem, em meio à terra de ninguém.

Diferentemente, do que se via o cenário entrava em conflito com os acontecimentos fora dele. Enquanto Clarice via um mundo de um jeito, o de sua mãe estava mais próximo de acabar e o do seu pai já cansado, de alivio, pois, iria ter um tempo para descansar em paz, dentro do seu lar.

Chegávamos ao 10º dia, era o último dia de trabalho do pai na lavoura. Mesmo assim, o 10º dia seria o dia em que Felipe, que era cego e autista, mudaria a melodia do piano, tocando algo perturbador e ensurdecedor, que fazia a família ficar atordoada, sem saber o que fazer.

A melodia tratava-se da chegada da chuva e da ida da mãe. Que acabaria tendo que se carregada por Clarice até o vilarejo, já que era meia-noite e o pai e o irmão mais velho de Clarice, repousara num sono profundo.

Clarice então atravessava a lavoura do pai, em pratos, enquanto carregava sua mãe quase morta, em suas costas. Aquele temporal fazia subir a neblina das montanhas e da serra, transformando tudo em sombras e pontos cegos.

Clarice continuava correndo pela terra molhada, não apenas da chuva, mas sim, das lagrimas que escorriam de seus olhos. E quando finalmente ela chegou ao vale, viu que era tudo ilusão. Apenas um banner gigante era o que tinha ali. Retrato das vendas de terra na região.

Já sem saber o que fazer, Clarice correu para casa, ver se Felipe ainda estava acordado, ao chegar a casa, vê Felipe sozinho com um retrato da mãe nas mãos, tocando-o pela primeira vez em sua vida. 

Parecia um sinal, pois naquele exato momento a chuva parava e a neblina começava a subir lentamente, assim podendo ver com clareza onde estava o corpo da mãe. Clarice sem animo algum foi até o corpo próximo às roseiras. Viu em sua frente à última mulher da família e viu dentro de si, nascer uma mulher de verdade, agora com responsabilidades.

O sonho de Clarice de sair da fazenda existia e o rumo que ela iria tomar era aquele. Passando em sua mente, que seu pai e seu irmão poderiam se virar sozinhos, ela foi até a casa pegou uma trouxa de roupas, colocou uma velha mochila e sai com seu chinelo rosa em sentido ao sul. Quando estava saindo na porteira, olhou para trás, e viu o triste Felipe assombrosamente olhando em sua direção. É quando Clarice retorna e pega Felipe no colo com uma das mãos e sai rumando ao sul pela estrada de terra.

No meio do caminho Clarice vê que precisa alimentar seu irmão. Ela então segura firme na mão dele e vai até uma casa amarela dentro de uma fazenda, onde encontra uma bondosa senhora que lhe oferece bolo e uma noite para dormir. Agora carente de mãe e sozinha no mundo, Clarice se vê próxima de uma pessoa de alma limpa e de coração bom.

Clarice olha o relógio numa velha cômoda e rapidamente pega a foto que está com Felipe, vê que aquele relógio é muito parecido com que está na foto da mãe de Clarice. Rapidamente Clarice, mostra a foto a senhora, que se surpreende e diz:

- Está é minha filha! Meu Deus, de onde você tirou esta foto?

Clarice com os olhos cheios de lagrimas olha nos olhos de sua avó e vê a semelhança deles com o da sua mãe. E se sente confortada de não está mais sozinha.

Em uma pequena jornada em meio à neblina perdeu sua mãe, em meio à tristeza, viu seu irmão a cores dentro de uma casa incolor, viu em sua frente tudo aquilo que a fez crescer. E rumo ao mundo encontrou sua avó. Pena apenas, que Clarice não existe tudo não passa de uma pequena ilusão. Tudo parte de um circo de bonecos de porcelana na televisão, tudo reflexo de uma alucinação, tudo o que não se vê tudo sobre uma verdadeira estória de desilusão.

Contada de uma avó para uma neta, que rumaria fugida do seu lar, para encontrar um pai não existente e que se arrependeu e sua avó autista e cega aprendeu a amar.


Lembranças de um homem chamado Felipe.
<

Nenhum comentário:

Postar um comentário